sexta-feira, 4 de dezembro de 2009


não suporto mais seguir-te no teu labirinto. sinto-me tão pequena.

há uma mosca pousada no tecto. sinto-me enlouquecer.

disseste-me ainda que as carícias não atravessam a pele. sacrificas-me.

deixei-te por duas vezes, voltei duas vezes.

estás em mim como uma ferida. não devia ter vindo. não nos entendemos.

o nosso desejo, o nosso prazer são dolorosos.

fazes-me mal e pedes-me para não gritar. ainda ousas dizer que te pertenço.

desintegro-me nos teus braços, disformo-me. bebo aguardentes que me queimam.

começo a odiar-te. há um polvo morto sobre o mármore da cozinha.

continuo ao mesmo tempo a amar-te desmedidamente.


Pedro Paixão

1 comentário:

stylife disse...

a contradição que morde!!